Explorando controvérsias na produção de um filme de autoria coletiva

Cartografia realizada como trabalho final da disciplina Cartografia de Controvérsias, ministrada pela Profa. Fernanda Bruno no Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura da UFRJ.

Site da cartografia: http://autoriacoletiva.tumblr.com/

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A democratização dos meios de produção e distribuição comunicacional, através das tecnologias digitais, contribuiu nos últimos anos para o surgimento e proliferação de filmes feitos em contextos de educação que fazem questão de explicitar a importância do coletivo na sua criação.  A partir da análise de um conjunto de 100 filmes de curta-metragens que constam no banco de dados do Festival Visões Periféricas e que possuem as características descritas acima foi constatado que em muitas funções de equipe que constam na lista de créditos dos filmes figura a palavra coletivo.  Não há uma pessoa física responsável pela execução da função, há apenas a palavra coletivo.  Em todos os filmes analisados a palavra está associada a função direção mas também pode ser encontrada em outras funções como roteiro e produção. Esta cartografia fará o rastreamento do processo de realização de um filme inserido nesse conjunto de 100 filmes analisados, o curta-metragem “No Limite do Horizonte”, realizado em uma Oficina de vídeo no Núcleo de Arte Grécia, localizado na Zona Norte do Rio de Janeiro. Esta investigação parte da premissa que o projeto onde se dá a produção do filme funciona como um dispositivo de produção de subjetivação de seus envolvidos. Esta produção se dá no confronto entre um ideal de coletividade presente nos projetos, expresso nos créditos do filme,  e as decisões que são tomadas no decorrer da produção e materializadas nas obras.

Em “No Limite do Horizonte”, a realização coletiva explicitada nos créditos do filme pressupõe a ausência de um centro emanador de decisões, normalmente atribuído ao diretor da obra. Nas entrevistas feitas com o coordenador da oficina e com uma das atrizes do elenco é possível perceber os ruídos produzidos no atrito entre a idéia de uma realização coletiva e as práticas de produção desse filme . Esses ruídos devem ser levados em consideração quando se analisa a produção de subjetividade decorrente do processo de aprendizagem do fazer audiovisual em projetos de formação, assim como nos resultados estéticos das obras. Neste caso a obra é analisada como enunciado não discursivo.

Controvérsia: A própria noção de autoria coletiva nesse filme é controversa uma vez que a função autor é subordinada a missão do projeto educacional mas sofre interferências (ruídos) no confronto com as práticas de produção do filme.

Site da cartografia: http://autoriacoletiva.tumblr.com/