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Terça-feira, dia 08/11, às 18h30 – auditório da CPM (ECO-UFRJ)

O MediaLab.UFRJ e o PPGCOM-UFRJ vão receber o coletivo de artistas portugueses Rabbit Hole para a apresentação do programa de vídeos Xenométricas.
Além da sessão de curta-metragens, Pedro Marum, Joana Sousa e Mariana Viera vão discutir o impacto das tecnologias de vigilância digital em corpos e sexualidades não normativos.

Xenométricas

Programa de cinema dedicado à análise do impacto da vigilância digital em corpos, desejos, e sexualidades não-normativas, propondo um debate sobre tecnologias biométricas e dataveillance à luz das teorias queer e crítica feminista.
Texto curatorial
Numa era de crescente vigilância digital e info-militarismo, damo-nos conta de que o “gaze” opressivo (“gaze” definido por Lacan como o estado de desconforto e ansiedade provocado pela sensação de podermos estar a ser observados) não recai apenas sobre pessoas criminosas, definidas como tais pelo Estado, mas atinge todas as pessoas, todas as que em potência se possam desviar da ordem estatal e que tenham impostos para pagar.Desde a CCTV a drones, controlos fronteiriços, rusgas policiais, a imensa rede de vigilância estende-se a mecanismos cada vez mais íntimos, recolhendo data e metadata de emails pessoais, redes sociais e clouds. Com as mais recentes tecnologias de vigilância biométrica e de dados, os nossos corpos físicos e virtuais tornam-se fontes prolíferas para a extracção de dados. Sob o escrutínio maquinal, a vigilância produz um efeito normativo na forma como os corpos se devem apresentar de forma a distinguir “cidadã/o” de “terrorista”, “normal” de “desviante”, uma supremacia algorítmica que perpetua o classicismo, homofobia, sexismo, racismo, transfobia e a discriminação de corpos não-hegemónicos.Se por um lado a visibilidade tem sido usada pelas minorias como uma ferramenta política para ganhar reconhecimento, a invisibilidade e a privacidade tornaram-se vitais para as identidades não conformes. À medida que a ocultação é proibida pela ordem neoliberal, obrigando os corpos a serem cidadãos e a disponibilizarem-se para serem identificados e catalogados, comunidades marginalizadas – tais como pessoas trans* ou com géneros não binários – vêem as suas identidades expostas a um escrutínio biométrico sob o pretexto de poderem ser ameaças, terroristas ou desviantes da ordem cívica.PROGRAMA (53min)Irineu – João Leitão (2014, 4’)
American Reflexxx – Signe Pierce and Alli Coates (2013, 14’)
Facial Weaponization Communiqué: Fag Face – Zach Blas (2012, 8’)
SHE WHOSE BLOOD IS CLOTTING IN MY UNDERWEAR – Vika Kirchenbauer (2016, 3’)
The Future Ahead – Improvements for the further masculinisation of prepubescent boys – Amalia Ulman (2015, 16’)
Bradley Manning had secrets – Adam Butcher (2011, 5’)
Drone Boning – Ghost + Cow (2014, 3’)

Rabbit Hole
A Rabbit Hole é uma plataforma artística de várias valências criativas e tem por objetivo fomentar a criação de um espaço de mostra e liberdade expressivas, promovendo um espaço seguro e de inclusão para a expressão de ideias alternativas, pensamento crítico e experimentação para artistas nacionais e internacionais. O coletivo da Rabbit Hole é composto por um grupo multifacetado nas áreas da curadoria, performance, instalação e videoarte.
Curadoria artística do Rabbit Hole
Pedro Marum
Joana Sousa
Mariana Viera

Joana Sousa
Licenciada em Ciências da Comunicação pela Universidade Nova de Lisboa e mestre em Cinema Documental pelas Universidade Lusófona (Portugal), LUCA – School of Arts (Bélgica) e Budapest Film Academy (Hungria). Foi diretora de produção da associação cultural Rabbit Hole e colaborou em várias edições do Queer Lisboa – Festival Internacional de Cinema Queer. É atualmente Assistente à programação e gestão de cópias do Doclisboa – Festival Internacional de Cinema. O seu filme Bétail (2014) foi apresentado em vários festivais nacionais e internacionais tendo ganho o prémio Take One no 23o Curtas Vila do Conde e uma Menção Honrosa para melhor curta-metragem no 31o Hamburg International Short Film Festival.

Pedro Marum
Pedro Marum é membro fundador da Rabbit Hole e vive em trânsito por várias cidades, colaborando em projetos artísticos como criador e curador. Entre 2010 e 2015 foi produtor e programador do Festival Queer Lisboa, assim como o curador da secção Queer Focus, um programa de investigação de expressões queer através discursos académicos e artísticos, organizando sessões de cinema, debates, instalações e performances. Participou como júri e curador convidado em festivais internacionais de cinema em Roterdão, Tel Aviv, Hamburgo, Berlin, Ramallah e Viena. É bolseiro do programa de mestrado internacional Media Arts Cultures (MediaAC), repartido pela Áustria, Dinamarca, Polónia e Hong Kong. Atualmente colabora com SPEKTRUM, em Berlim, espaço cultural de convergência entre arte e ciência, onde coordena a comunidade XenoEntities Network (XEN), um grupo de investigação e curadoria de projetos que analisa as tecnologias digitais à luz de teorias queer, de género e feministas. Escreve regularmente para a Furtherfield, Londres, sobre arte, ativismo e tecnologia.

Mariana Vieira
É aluna do curso de Pesquisa e Criação Coreográfica do Forum Dança em Lisboa e membro co-fundador da Associação Cultural Rabbit Hole onde desempenha funções de artista e produção. Ao longo do seu percurso foi alimentando a sua formação de diversas formas de onde destaca a Catequese (Teatro Praga), o curso de Artes Performativas do SOU, um estágio em corpo pensamento e dança no C.E.M., e a pós-graduação (finalização em curso) em Artes Cénicas na FCSH-UNL. Concomitantemente licenciou-se em economia, curso a seguir ao qual viveu dois anos em Timor-Leste onde co-criou uma ONG de microfinanças e trabalhou enquanto gestora de produto na Timor Telecom.
Organização
MediaLab.UFRJ
PPGCOM-UFRJ
Apoio da FAPERJ