DISCIPLINA ELETIVA: ECONOMIA PSÍQUICA DOS ALGORITMOS

13 de fevereiro de 2020

 Autoria: Sammy Slabbinck

Neste semestre a coordenadora do MediaLab.UFRJ Fernanda Bruno, junto com a pesquisadora Anna Bentes, doutoranda do PPGCOM UFRJ, ministrará uma disciplina eletiva no campus da Praia Vermelha. Ela ocorrerá às quartas-feiras de 15-18h e é vinculada ao Instituto de Psicologia, podendo ser cursada também por outros alunos da UFRJ ou vista de ouvinte por qualquer pessoa. O código da disciplina no siga é IPG002 e as aulas começam no dia 18 de março. Segue abaixo um pouco do que será trabalhado:

Casos controversos recentes sobre o uso de dados pessoais para a aplicação de testes psicométricos e direcionamento de conteúdo político como realizado pela empresa de consultoria Cambridge Analytica na eleição norte-americana de 2016 nos revelam não apenas os usos indevidos, sem nosso conhecimento e autorização, de nossas informações e comportamento online para fins eleitorais e econômicos. Esse e outros casos expõem os bastidores de uma nova lógica do capitalismo contemporâneo que, conectando saberes da psicologia, da comunicação e da ciência da computação, direciona imensos volumes de dados para aplicação de estratégias de modulação do comportamento humano. Nesse contexto, observamos um crescente interesse tecnocientífico, corporativo e econômico em processos de captura, análise e uso de informações psíquicas e emocionais extraídas de nossos dados em plataformas e serviços digitais, isto é, o que chamamos de Economia Psíquica do Algoritmos.

O curso tem como objetivo analisar e discutir como modelos epistemológicos, testes e aplicações do campo da psicologia são mobilizados nessa Economia Psíquica dos Algoritmos que, com suas estratégias próprias, extraem valor e capitalizam nossa atenção e nossas emoções a fim de exercer persuasão e influência sobre nosso comportamento. O curso apresentará textos, casos de estudos e conteúdos audiovisuais que permitam explorar o quanto nossas emoções e traços psíquicos estão sendo visados pelos algoritmos de plataformas digitais e redes sociais, suas implicações sociais e políticas, bem como suas máquinas de subjetivação. De que modo as subjetividades, os afetos, os desejos, a atenção e a percepção estão sendo mobilizados e modulados por essas máquinas e corporações?