Entre os dias 29 de novembro e 01 de dezembro de 2017, acontecerá em Santiago, Chile, o V Simpósio Internacional LAVITS “Vigilância, democracia e privacidade na América Latina: vulnerabilidade e resistências”. O tema deste ano focará as relações entre as tecnologias de vigilância e o exercício da democracia e dos direitos humanos, destacando as vulnerabilidades no contexto Latino-Americano e as possibilidades de resistência às tentativas de controle por parte do Estado e de grandes corporações.

Distribuídos por diversas tecnologias, instituições, práticas e propósitos, os sistemas de vigilância contemporâneos modulam assimetrias de poder entre diferentes grupos da sociedade. Neste contexto de intenso monitoramento de dados populacionais por parte de empresas e dos Estados, grupos de pessoas tornam-se vulneráveis quando processos de vigilância em massa contribuem para aprofundar desigualdades ou impedir o pleno exercício da cidadania.

Além disso, nas últimas décadas, a massificação de tecnologias de informação e comunicação como a Internet, as mídias e redes sociais tencionam as fronteiras entre público e privado. Apesar do direito à privacidade estar resguardado e garantido pelos princípios democráticos, como a noção de privacidade vem se transformando na ecologia tecnológica de nossas sociedades? Como conciliar as disputas entre o direito à privacidade e o exercício da liberdade de expressão?

Hoje, funcionando sob a escala do big data, os serviços online solicitam, capturam, armazenam e analisam constantemente os rastros das ações de seus usuários que não apenas produzem conhecimento sobre modos de comportamento, mas orientam estratégias de marketing, políticas públicas entre outras diferentes medidas em situações cotidianas na vida privada, social e no trabalho. Frequentemente, esse enorme fluxo de dados em empresas privadas é solicitado e coletado por governos e serviços de inteligência nacional e internacional em nome da segurança e interesse público. Modelos de gestão “inteligente” de grandes centros urbanos investem fortemente em sistemas de coleta e visualização de dados sobre territórios e populações, ampliando o controle e a vigilância sobre as vidas que habitam regiões mais pobres o que, muitas vezes, sob a alegação de combate ao crime e ao terrorismo, acabam por legitimar práticas de violência do Estado sobre parte da população.

Esses diversos contextos irão conduzir os diálogos entre pesquisadores, ativistas, artistas, representantes da sociedade civil e outros sobre temas, metodologias e estratégias coletivas que problematizam os processos de vigilância e controle em nossas sociedades.

Mais detalhes sobre o Simpósio e a programação em:

Programa

http://lavits.org/eventos/simposio-lavits-2017/?lang=pt

http://lavits.org/wp-content/uploads/2017/11/ProgramaLavits22.11-2.pdf